Um dia sonhei minha realidade

“O sonho é a matéria-prima para a realização de um desejo.”

Um antigo pensador (quem sabe, um louco pensador) um dia falou: “o homem para se sentir realizado precisa plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro”. Não sei se ele chegou a literalmente escrever isso, mas com certeza deve ter plantado uma árvore e frutificado uma prole incrível. Antes de tudo, deve ter sido um abnegado, pois para conseguir fazer tudo isso e se sentir realizado – e não cansado, estafado ou insatisfeito com os resultados – foi um vencedor.

Você plantou a sua árvore? Será que ela deu frutos? Será que seus filhos o fizeram sentir-se orgulhoso? Será que seu livro foi lido? Ou melhor: sua árvore deu orgulho, seus filhos foram lidos e seu livro frutificou? Enfim, esse pensador sabia ao certo que essas três atividades tomavam um tempo enorme e a contrapartida nem sempre é a que se espera.

Mesmo sem ter essa consciência, ainda criança, plantei algumas árvores. Umas vingaram, outras morreram dias após serem plantadas, digamos que por pura falta de informação necessária. Meus filhos – por eu ter um pouco mais de conhecimento na arte de conceber -, esses, sim, vingaram e são motivo de orgulho. Com um pouco mais de experiência e dados técnicos, comecei a escrever, e os resultados, pelo menos até agora, são gratificantes.

Chego a esta coletânea ciente de que quinze anos de vida profissional nesta missão de fé, que é o ato de “escrevinhar”, e dez anos na educação, ainda não são suficientes para me considerar um senhor das letras. Ah! Se não fosse um bom revisor, um bom diagramador, um desenhista/artista, um editor eficiente e uma bela campanha de marketing (que funciona muito mais pelo boca a boca), tenho certeza de que não teria partido do primeiro livro para o segundo, deste para o terceiro, deste para o quarto e, agora, não estaria partindo para a quinta obra.

Sei de minhas deficiências e de minhas virtudes, e cada obra está carregada com um pouco de cada uma delas – ou muito -, pois são elas o manancial das ideias que transmito a você, meu leitor. Chego aqui agora e olho para tudo o que fiz e só tenho uma certeza: ainda há muito que fazer e escrever. E isso é que me dá esperança para continuar a escrever, pois já plantei todas as árvores de que gostaria e meus três filhos me completam totalmente.

A Coletânea “Um dia sonhei minha realidade” reúne cinco de meus livros. Cinco punhados de minha vida, ordenados, não de forma cronológica, mas seguindo um sentimento, uma sequência prática de vida. Você notará que, mesmo sendo escritos em momentos diferentes, eles se completam e formam um conjunto harmonioso:

  • Uma marca chamada “você” aponta caminhos e orienta para alguns momentos delicados: o desemprego, a necessidade de se reciclar, a imperiosa virtude de apostar em você mesmo e o que se ganha com tudo isso.
  • Como contornar situações difíceis em sala de aula é dirigido a professores, diretores, pedagogos e a outros profissionais da educação, mas é também um norte para quem quer saber como se posicionar quando a vida nos coloca em uma encruzilhada e necessitamos fazer uma escolha.
  • O sucesso de seu filho está relacionado com sua felicidade aborda as relações entre pais e filhos, professores e alunos e, de certa forma, comandados e comandantes. Não é um manual que pretende ensinar o caminho, mas apontar direções, pois a decisão é sempre pessoal e intransferível.
  • Casados para sempre – antes de dizer adeus… pode ser considerado o desfecho de um ciclo, pois foi feito em um momento de sentimento muito nobre para mim, a ser guardado sob a segurança de sete chaves dentro do meu coração. Mas, antes de ser um réquiem, é uma receita sobre como continuar casado e amando eternamente. A vida é difícil, sim, mas sempre devemos amar alguém, pois isso é possível e meritório.
  • Paternidade Responsável é dirigido aos pais, porque tudo o que fazemos, todos os procedimentos educacionais que praticamos na paternidade responsável, nos prepara e nos aproxima da grande experiência do amor-próprio e do amor total e incondicional pelos nossos filhos.

Bem, outros livros vieram, entre eles “Desvendando a VIDA – Cura para os males dos homens e da alma“, foi o livro que me fez um homem bendito. Ao ler este livro, para chegarmos à nossa essência, muitas vezes teremos que fechar nossos olhos para compreender. Teve momentos que ao escrevê-lo tive que fechar os olhos para compreender a complexidade e a simplicidade da vida. Deus me deu o privilégio de aprender, escrevendo este livro. Deus é demais – sabe tudo!

Hoje são quinze livros. Se você chegou a este ponto, quer dizer que em algum momento algo que eu digo/escrevo poderia interessar-lhe. Ainda bem, pois é essa cumplicidade que procurava quando iniciei este ofício. Não conhecia os resultados, mas tinha para mim que precisava expor o que pensava, quem sabe ajudar com essa experiência outras pessoas. Espero sinceramente conseguir fazer isso agora, com você. Ao final espero saber que ganhei mais um amigo. Pois este escritor, com certeza, será um novo amigo para você.

Durante alguns anos – principalmente quando criança – tive premonições de que um dia poderia escrever algo que pudesse interessar a alguém. Tinha a certeza de que poderia fazê-lo. Mal sabia que isso era ser um escritor.

Era meu sonho de criança, aquele, meio camuflado e ofuscado pelo desejo de ser um piloto de avião, bombeiro, astronauta e, claro, jogador de futebol, pois afinal eu poderia ser o que quisesse. Nada era impossível e tudo era imaginável. Eram só sonhos, pois naquela época nada mais poderia fazer a não ser sonhar; então… eu sonhava.

Na minha turma, sempre fui o líder e quase sempre “dançava” por isso. Esse comportamento na escola invariavelmente resultava em advertências e suspensões.

Havia certo detalhe da minha infância que nunca passou despercebido e, diga-se de passagem, não me deixavam esquecer, até hoje: Sou filho de um pastor evangélico, de uma igreja tradicional, e minha mãe era dedicada aos mesmos princípios religiosos. Isso sempre significou para mim e para meus irmãos a perda de privilégios, principalmente se comparado com os colegas da escola e da rua que recebiam uma educação mais flexível e tinham um diálogo mais aberto com seus pais.

Em razão dessa disciplina, sofri preconceitos na escola e não participava de algumas atividades de maneira normal, ou por proibição religiosa ou mesmo autoritarismo dos meus pais – fruto de uma ignorância até cândida. Tudo isto era compensado com uma postura minha de certa liderança.

Essa estratégia de liderar os colegas mostrou-se útil, visto que ganhei respeito e as limitações religiosas passaram a interferir muito pouco na minha vida escolar. Se houve prejuízos em meu desenvolvimento, confesso que pouco notei. É claro que, se analisar friamente os reflexos dessa educação tradicional e retrógrada – mesmo para aquele tempo -, posso dizer que eles agiram, dentro de suas possibilidades, de maneira correta, pois estavam moldando meu caráter e o adulto que sou hoje.

Mesmo novo, tinha como meta o sucesso profissional, independentemente da carreira por que optasse. Isso seria uma forma de mostrar aos meus pais e a mim que eu era capaz, que havia entendido o que eles queriam e tirado o melhor proveito disso. Naquela época eu tinha a necessidade de provar algo. Queria movimentar-me e começar a desenvolver alguma atividade e, claro, unindo o útil ao agradável, obter um retorno financeiro. Mas não imaginava que isso poderia ser difícil…

Foi nessa época que conheci aquele que se tornou meu mentor profissional: o coronel Roberto Borges Fortes. Foi ele que me “ensinou a pescar”, me mostrou as dificuldades de se “fisgar o peixe” e, óbvio, o prazer de poder “comê-lo”. Ele procurou moldar minha mente para desenvolver tarefas e produzir. Mas, bem depois, percebi que proporcionar que eu caminhasse com as próprias pernas era o que ele queria.

Isso fez com que eu me tornasse eternamente grato ao Cel. Borges, que já partiu em busca do descanso eterno e sempre terá um espaço em meu coração. Logo em seguida a esse período, entrei para as Forças Armadas – Ministério da Aeronáutica. Pela falta de estímulo não segui carreira, mas valeram as muitas experiências vividas e que se transformaram em relatos interessantes.

Como sequência de um sonho e de um projeto de vida, veio a faculdade. Sei que optei por um curso que não tinha nenhum vínculo com meus ideais de infância, mas era para mim um caminho interessante profissionalmente falando: Ciências Econômicas. Depois veio uma pós-graduação em Marketing Empresarial e o primeiro mestrado. Paralelamente, levo minha vida empresarial, algumas vezes com sucesso, outras com fracasso – mas sempre tive experiências que me fortificaram.

Posso não estar fazendo uma cronologia correta dos fatos, mas sigo uma sequência de sentimentos.

Nessa minha história, tive o privilégio de encontrar Rosana Sandoval de Paula, ficar casado com ela por treze anos e ter dois filhos. Essa união foi interrompida por sua morte precoce. Ela me deu força e apoio, apontou os erros e criticou nos momentos certos, mas, sobretudo, foi companheira e amiga. No meu livro Casados para sempre, fiz-lhe uma dedicatória póstuma, na qual falo: “Feliz o homem que ouve sua mulher. Quando o homem ouve sua mulher, ele erra menos”.

Aprendi a ouvir uma mulher – quando deparei com uma falência empresarial – como falei, tive sucessos e fracassos, afinal sou humano. Quando achei que tinha aprendido e não precisava mais ouvir, perdi meu arrimo e fui à falência. Mas foi graças a recomeçar a ouvi-la que pude me levantar. Eterna gratidão tenho por ela!

O livro Uma marca chamada “você” foi fruto dessa minha experiência empresarial. Desenvolvi o texto em linguagem coloquial de consultor, já que estava começando a enveredar por esse campo profissional. Não o caracterizei como uma obra de autoajuda, mas como um manual de busca pelo sucesso profissional, feito por alguém que vivenciou os dois lados.

Na minha experiência profissional, pude compreender porque muitos empresários reclamam por não terem um “time humano” competente o suficiente para desenvolver atividades a ele confiadas, visto que existia naquele momento – e ainda existe – um universo muito grande de desempregados, cujos índices assustam. Também sabia o que era ser um empregado e passar pelo desemprego por muitas vezes, algumas sem explicação, outras por falta de um maior preparo profissional.

Quando comecei a escrever o livro, era diretor-proprietário de um “pequeno conglomerado” de cinco empresas, que empregava mais de 200 funcionários. Participei ativamente de todas as contratações. Frustrei-me bastante com diversos candidatos que apareceram, mas me frustrava muito mais depois de algumas contratações, pois alguns, apesar da experiência e maturidade profissional que tinham, não compreendiam o que era trabalhar em equipe, nem que algumas de suas atitudes poderiam comprometer sensivelmente o desenvolvimento e crescimento das empresas.

Propiciávamos treinamento, cursos, workshops, palestras, seminários, mas essas pessoas consideravam-se sabedoras e senhores de si. Não queriam progredir e atravancavam o progresso de outras pessoas e da empresa. Ou seja, tinham conhecimento, mas não sabiam empregá-lo. Eram do tipo “não me venha com novidades, pois sei de tudo e nada pode me acrescentar”. Elas não faziam de si e de sua vida profissional algo que as fizesse despontar. Precisavam ser acordadas. E o livro seguia esse caminho.

Um fato interessante, quando do lançamento desse livro – que na realidade foi uma evolução de outra obra, chamada Profissão: Desempregado -, foi ter participado de diversos programas de televisão e ter dado algumas entrevistas a importantes emissoras de rádio sobre o assunto.

Com base nessas experiências, um novo nicho profissional surgia-me como uma oportunidade. Comecei a prestar consultoria empresarial e minha falência me ajudou a abrir portas. Algumas empresas queriam saber como consegui sair de situações negativas e voltar a crescer. Minha experiência pessoal e profissional começou a ser valorizada por empresários que vivenciavam experiências idênticas. Aos poucos essa consultoria passou a ser conhecida, muito em razão da propaganda boca a boca.

Ainda, conhecendo – e aprendendo – um pouco da história de uma das maiores empresas do planeta, a Microsoft, que tem em ex-falidos pelo menos 40% de seus executivos, pude ver que isso não acontecia com poucos e que não era sinônimo de fracasso eterno. Era exatamente o que queria passar em meu livro. Afinal, o que move uma pessoa que faliu duas vezes a não desistir e partir para buscar novamente o sucesso? A resposta é simples: Motivação.

Exatamente essa motivação que seria a mola propulsora que as pessoas deviam procurar. Mas como? Pensando grande – e muito grande. Se você realizar apenas metade do que planejou ou sonhou, não tenha dúvida de que é um percentual fantástico, mas ainda assim será o suficiente? Isso contribuirá plenamente para melhorar seu nível de prosperidade? Mesmo assim, ainda é pouco. Se queremos mais, por que vamos nos contentar com menos? Ninguém consegue sair do buraco se pensar que isso não é possível. É exatamente esse o pensamento que gosto de incutir em quem procura minhas consultorias e palestras. É claro que de maneira individual, analisando cada caso.

Então, a prosperidade começou a ecoar em minha porta: Quando fui convidado a ministrar minha primeira palestra em uma escola no bairro de Santana, em São Paulo, a EMEFrofa. Derville Allegretti, um novo sentimento começou a despontar em mim. Poderia ser muito mais útil se pudesse dispor de um tempo maior para isso. E era difícil achar esse tempo, já que tinha uma agenda totalmente tomada pelos compromissos de consultoria empresarial. Mas esse convite era para uma palestra a alunos de cursos profissionalizantes, portanto, precisava pensar neles com carinho. O que foi provado na prática.

Quando estava “desenvolvendo meu texto”, pude observar o brilho e a satisfação daqueles alunos, mas, acima de tudo, a necessidade daquelas informações e do tema. Eu tinha uma imagem – que mais tarde percebi errada – de que alunos da rede pública não levavam muito a sério o que era proposto pelos professores.

Mas, para deixar claro meu “pré-conceito”, vou mostrar o cenário e sentimento que tinha dias antes da palestra em razão de uma conversa que tive com uma funcionária da escola. Ela me informou dias antes que os alunos que iriam me ouvir eram indisciplinados e, como que se desculpando, afirmou que, caso eu não conseguisse trabalhar com eles, não teria problema, pois aquela turma realmente “não tinha jeito”. Essa declaração me deixou preocupado.

Fui para casa com “um elefante atrás da orelha”. Fui ajudado através da frase de um grande filósofo: “O homem é consequência de suas experiências, e experiências você só as tem pela quantidade de oportunidades que passam a sua frente, e você aproveita o que é bom e descarta o que não mais te interessa; outra oportunidade, e você aproveita o que é bom e descarta o que não mais te interessa”. Isso ficou gravado na minha cabeça.

Confiante, no dia seguinte lá estava eu no auditório daquela escola, palestrando para aqueles “indisciplinados” e, para surpresa dos professores e da direção – e daquela funcionária e minha mesmo -, chegou o horário do intervalo e os alunos, voluntariamente, permaneceram até eu concluir a explanação.

Bendita noite em que Deus me permitiu perceber que o Universo conspirava a meu favor, mostrando-me novos caminhos e possibilidades de ser feliz profissionalmente e, mais importante, que pudesse vislumbrar e reconhecer, alguns anos depois, ser um agente Dele – com toda humildade -, para mostrar o caminho da felicidade a outras pessoas.

Com tudo isso, um novo olhar começara a despertar-se em minha mente e também alguns questionamentos. Por que aqueles alunos ouviram-me atentamente e no final me aplaudiram? Em nenhum momento foram “indisciplinados” e pude identificar e vivenciar o despertar de novos seres que, sem dúvida, teriam o curso de suas histórias alterado ou reintegrado. Eles queriam isso! Bastava estarem municiados das ferramentas intelectuais corretas e de um conteúdo programático dirigido para isso.

Em contrapartida, por que não acontecia com os professores o mesmo que acontecia comigo? Enquanto trabalhamos aqueles conceitos, por que eles me ouviam e não ouviam os professores?

Esses pensamentos martelaram meu cérebro durante dias. Foi quando recebi – surpreso – um novo convite da coordenadora pedagógica daquela escola, a professora Maria do Carmo Ventura, que me chamava, em nome da direção, para fazer uma palestra a todos os professores. Confesso que engoli seco, pois era tudo o que não esperava. Pensava, sim, mas eram só conjeturas. Ato contínuo, sem titubear, disse que sim, mas que precisava preparar-me, pois trabalhar com os professores era muita responsabilidade. Sempre respeitei os professores, pela sabedoria, conhecimento, experiência, amor que dedicam ao seu ofício. Pedi um tempo para me preparar e marcamos para a semana seguinte.

Uma manhã chuvosa depois de uma noite em claro. Não precisei de despertador, pois naquele dia “acordei o galo”. Passei a noite pensando em uma estratégia caso não agradasse. Seria a seguinte: como moro nas proximidades de São Caetano do Sul, em São Paulo, no caminho passaria perto do Crematório de Vila Alpina. Iria me dirigir a qualquer uma daquelas lojas ou camelôs que vendem flores, compraria algumas dúzias, e, caso fosse rejeitado, minha reação seria arremessar rosas vermelhas sobre todos aqueles participantes e me desculpar.

O resultado da palestra mudou completamente minha vida, meus horizontes, meus sonhos. Fui aplaudido e distribuí as rosas aos participantes, que ficaram felizes e começaram a me indicar para outras escolas. Foram dezoito outros convites para palestrar nas escolas da região em curto espaço de tempo.

Depois disso inclinei-me à pesquisa e comecei a produzir o livro: Como contornar situações difíceis em sala de aula. Quanto mais pesquisava, mais situações iam surgindo e novos desafios começavam a me deprimir. Via o professor sendo massacrado pelos seus alunos. E não podíamos esquecer que esses professores também têm suas famílias: são pais, mães, avós, filhos, mas como ajudá-los a separar uma coisa da outra? Nisso também tiveram serventia minha vida profissional e minhas falências. O livro foi desenvolvido com esse sentimento humanitário ao professor. Posteriormente, o seu conteúdo acabou embasando minha dissertação de mestrado em Educação.

Simultaneamente, produzia material para o que logo seria um novo livro: O sucesso de seu filho está relacionado com sua felicidade. Descobri que muitos dos problemas e dificuldades que os professores enfrentavam em sala poderiam ser tranquilamente “descobertos” e coibidos ou corrigidos pelos próprios pais. Chegaria à triste conclusão de que os pais estavam muito mais perdidos do que poderia imaginar e que seria permitido. Nessa obra coloquei minha experiência de filho e pai. Essa referência  deixou-me mais tranquilo para trabalhar. A ideia inicial era ajudar os professores com ferramentas, para que eles as utilizassem nos contatos com os pais.

Neste ponto, queria abrir um parêntese para falar dos meus dois maiores tesouros. Esses, sim, a razão de todas as minhas lutas e os meus alicerces: meus dois filhos Jacqueline e Caíque. Duas crianças totalmente diferentes uma da outra, mas que se completam. Principalmente, me completam.

A Jacqueline é minha filha mais velha. Falar dela não é fácil, pois minha porção coruja diria que ela é igual ao pai. Também sonha, questiona e lidera, mas percebo que é muito mais ousada que eu.

Hoje ela é mais que uma filha. Inconscientemente ela assumiu o papel de minha companheira e, muitas vezes, confidente e conselheira. Mesmo sendo muito nova, apresenta uma maturidade inacreditável, mesclada, é claro, com os sonhos e inseguranças de uma adolescente.

Como todo pai, seu desenvolvimento me inspira e me emociona. É magnífico vê-la percebendo o universo que a cerca e tomando partido dele ou lutando contra ele, dependendo do que for o certo. Para mim, ela sempre foi a “pedrinha”, pois é dura e firme, mas não imutável. Tenho uma coisa a dizer a ela: “sabe, ‘pedrinha’, digo, Jacqueline, orgulho-me de ser seu pai. Você não imagina o que sinto quando a ouço me chamando de papai. Adoro tê-la como filha. Amo muito você!”.

Depois de seis anos do nascimento de Jacqueline, já com uma vida planejada, eis que nova surpresa a mãe natureza nos reservou (se bem que não foi tanta surpresa assim, pois ainda lembrava como fazia isso). Já torcíamos por um menino para formar o “casalzinho” que a maioria dos pais sonha. Estava vindo o Caíque.

Quando tinha dois meses de vida, sem que houvesse uma explicação científica até hoje, Caíque foi acometido de hemiparesia à esquerda – algo semelhante a um derrame cerebral em um adulto. Vários procedimentos médicos, correria, aflição, mas não encontramos uma explicação plausível e muito menos a cura. Mas tivemos de conviver – é claro que não foi fácil acreditar e aceitar – desde então com uma certeza: tínhamos um filho portador de necessidades especiais que precisaria de sessões de fisioterapia constantes. Mas outra certeza veio a reboque: ele também precisaria, acima de tudo, de muito amor e, principalmente, de aceitação da família. E ele teve – e tem – tudo isso e muito mais: entendimento, compreensão, paciência e, sobretudo, aceitação.

Infelizmente, pesquisas revelam que 85% dos pais que têm filhos portadores de necessidades especiais não aceitam a deficiência de seu filho. Mas não foi o que ocorreu desde o momento que soubemos isso.

Foi, sem dúvida, um aprendizado para todos nós. Aprendemos a amar de maneira diferente, a declarar o amor constantemente um para o outro dentro e fora de casa. Por um sem-número de vezes já agradeci a Deus por ter me permitido aprender com o Caíque o verdadeiro significado do amor – e vou agradecer para o resto de minha vida. Falar dele, hoje, diante de todos os fatos e lições, não é apenas dizer que foi bom. Foi um presente divino e fico até sem palavras para expressar a alegria e o contentamento de ser pai do Caíque (viu, meu filho!). Graças a Deus, o Caíque é hoje um menino lindo, inteligente e integrado na sociedade e, pelas minhas contas – conforme mostram os prognósticos médicos e, obviamente, o meu coração -, daqui a mais ou menos dez anos ele estará perfeito.

Assumi hoje integralmente a família e o árduo papel de ser pai e mãe ao mesmo tempo e, assim, continuo levando-o duas vezes por semana às sessões de fisioterapia.

Através dessa experiência, comecei a me envolver com as causas sociais, em particular com aqueles pais que passam pelas mesmas condições. Foi nessa época de maior envolvimento com entidades sociais que lancei meu livro Casados para sempre – antes de dizer adeus… Estava totalmente integrado aos trabalhos da Associação de Pais e Amigos de Excepcionais (Apae) de Itaquaquecetuba, (Hoje sou um voluntário da APAE de Mongaguá), São Paulo. Tão envolvido que o mínimo que poderia fazer era ajudar cada vez mais a entidade. E uma forma que encontrei de fazer isso foi doando os direitos autorais desse livro à Associação, na qual, com muita honra, assumi uma diretoria desde março de 2001.

Com muito humor e motivação, levo aos professores esses conceitos para que possam facilitar suas vidas e contribuir para a qualidade profissional deles. Fiquei simplesmente apaixonado por essa profissão de fé, o magistério, e essa paixão já dura alguns anos. Costumo brincar que, se encontrar uma nova companheira, ela deverá ser uma professora.

Nos últimos cinco anos, proferi mais de 1.300 palestras e workshops, a que mais de 100 mil pessoas assistiram. Além disso, há um grande número de pessoas que puderam ouvir minhas teorias em minhas aparições na mídia (rádios e TVs). Isso, sem dúvida, é altamente gratificante. Um sentimento que não imaginava experimentar.

Mas, apesar disso, tinha um “nó” ainda não identificado reprimido em mim. Algo me incomodava, e eu não sabia bem ao certo o que era. Perguntava-me o que faltava, pois, de certa forma, estava me completando, cheio de atividades profissionais, escrevendo, cuidando dos meus filhos, enfim, o que faltava?

Numa dessas conversas com Deus – a quem sempre recorro em meus momentos de angústia e de alegria, uma herança da minha infância -, nesses “papos”, buscando inspiração para escrever, fazendo pesquisas, dei de frente com uma inquietude que me acompanhava: precisava escrever algo para a família, para aqueles casais que ainda estão em busca da felicidade ou mesmo para os que já a encontraram e querem que ela perdure.

Queria passar um pouco de meu conhecimento, da convivência, as emoções afetivas. Nessa época eu já desenvolvia o trabalho voluntário na Apae de Itaquaquecetuba e pude presenciar exemplos de amor e de abnegação de pais e esposos. Com isso na mente, meu próprio tirocínio e mais outros fatores que me intrigavam, comecei a escrever em uma noite – e quase acabo em poucos dias – o livro Casados para sempre – antes de dizer adeus…, que foi lançado na própria Apae, em maio de 2002.

Essa obra, fruto dos meus melhores sentimentos, procura dar uma ajuda a famílias que foram ou precisam ser restauradas, a filhos que querem entender seus pais, a pais que tentam compreender seus filhos. Enfim, a quem busca um pouco de felicidade. Tem como fonte e objetivo o casal, mas não deixa de lado todos que o cercam: família, filhos, pais, amigos, etc.

Sem modéstia, é uma busca do casal pelo equilíbrio e pela harmonia em seu lar. O resultado foi compensador. Recebo semanalmente centenas de relatos que me fazem acreditar e entender a direção de um ser superior – no meu caso, Deus -, que me capacita à jornada.

O livro – Paternidade Responsável – Os sete mandamentos dos Pais – foi concebido em minha casa de verão, no verão de 2003, quando senti o quanto os meus filhos estavam felizes com a minha presença na vida deles. Isso tinha uma razão e resolvi compartilhá-la nas entrelinhas do livro que por mim estava sendo concebido.

Querido leitor, eu te pergunto: Você é filho de Deus? Certo!!! E seu filho é filho de quem? De Deus? Acertou novamente!!! Deus é o primeiro terceirizador do Universo; os filhos são todos Dele. Mas você, por opção, aceitou a tarefa. Portanto, você deve cuidar de seus filhos e exercer uma paternidade responsável.

Enquanto não temos a consciência disso, nos concentramos em tentar descobrir o que “acabou de acontecer” e por que está nos afetando tão profundamente e com tanta frequência.

A única forma de consertar um relacionamento amargo com nossos filhos é admitir que está faltando algo essencial e dispor-se a descobrir qual é esse ingrediente. Que tal raspar o fundo da caneca e começar tudo de novo? Tudo o que fazemos, todos os procedimentos educacionais que praticamos na paternidade responsável, nos prepara e nos aproxima da grande experiência do amor próprio e do amor total e incondicional pelos nossos filhos.

São quinze anos de vida profissional e pessoal colocados no papel. Começa com um empurrão e termina com uma ajuda. Ele fecha um ciclo e inicia outro. Meu objetivo não é mudar uma realidade – a sua realidade, amigo leitor -, uma vez que esse juízo pertence somente a quem lê, entende e coloca em prática essas vivências. Espero poder oferecer nesta obra uma riqueza, uma vida, a qual me foi concedida e que divido com você. Desejo que esta obra atinja o seu coração e ajude na busca e no encontro de seu verdadeiro caminho da prosperidade. Se ao menos o fizer pensar, já será uma vitória.

Prazer em conhecer!

Jairo de Paula